domingo, 21 de setembro de 2008

Boca fechada, olhos perdidos

Bem, hoje é domingo e cá estou eu, um tanto quanto nostálgica... Aquela coisa bem de estudante que mora fora... Deixa tudo para trás: sua casa, sua família, sua vidinha, seu estado, seus amores, seus amigos... Tudo, tudo para seguir um sonho. Que sim, vale a pena! Além de ser necessário nos dias atuais, essa coisa de estudar e "ser alguém" independente, diplomada, mestre, doutor, pós-doutor e o diabo a quatro... Então, folheando meu caderno, achei uma crônica que escrevi há alguns meses atrás, bem à toa e distraidamente em uma daquelas aulas que não chamam a atenção... Bem, aí vai... Um pouco de reflexão pra esse domingão família (mesmo que eu esteja tão longe da minha...).

Boca fechada, olhos perdidos...

Cá estou eu, sentada, atônita. Uma explosão implode em meu peito, mas meu rosto continua o mesmo: boca fechada, olhos perdidos.
Estou perdida em um tempo e um espaço que são meus, e nos quais vivo intensamente. Vivo intensamente o meu não-viver, ou talvez, apenas, o meu não-reconhecimento (ou meu estranhar) de uma vida agora minha.
Respiro fundo porque o ar já não me cabe mais e me foge quase que insistentemente.
Foge assim, como a memória de meu dia a dia me escapa a cada fechar de olhos.
E nesse momento, já me esqueci daqueles meus sorrisos quase que verdadeiros, esqueço de minha alegria quase que real naquele tempo que já não me é mais, pois ficou preso em um infinito - e é nada além de lembranças acompanhadas de suspiros e nem em pó pode se tornar. Então, meus dias daquele tempo ficam no infinito de mim mesma e eu não sei mais quem sou e se eu já existi e fui...
Mas, se não me sei e se não sei se fui, acontecimentos não me chateiam, nem me alegram, porque já são apenas lembranças acompanhadas de suspiros - e nem pó são.
Cá estou eu, sentada, atônita. Uma explosão implode em meu peito brando... Boca fechada, olhos perdidos.

3 comentários:

Renato Diniz disse...

"nem em pó pode se tornar"
ótima frase!

Um belo jeito de descrever um domingo!

Mto bom!

bjão

thiago meia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
thiago meia disse...

pagando o comentário que eu te devia(o que não te nada que ver com obrigações).
Moça acho que entendo o que você expressou tão bem na sua crônica-poesia.
Os versos meus são pobres, mas também escrevi uma vez sobre isso aqui em Bauru.segue:

Onde?

que frio meu lar tão longe;
a ausência das coisas de rotina que já nem me acenavam mais ;
o clichê inquietante do silêncio berrando "distância!" paulatinamente;
a falta daquilo que me irritava até tornar-se impossível de se conviver;
isso tudo faz muito frio.
é sempre inverno longe de casa.
a liberdade da estrada faz outono de vez em quando, mas nem a terra gira pra trás , nem a temperatura se mantem por muito tempo se maior que a fornecida pelo ambiente.
é ainda mais inverno quando chove:
há mais reticências no verter do dia,
redemoinhos pontuam as velhas exclamações,
a incerteza torce os trapos do orgulho e, clamando atenção com medo de ser ouvido, choro qual um violino de cordas abafadas que insisto em tocar virtuosamente.