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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ah, que saudade do Nordeste...


Essa semana, José Serra resolveu ir até o Nordeste visitar seus coleguinhas. Quando era pequeno, o governador morava na Mooca, e lá estudou com nordestinos, pois era uma região onde "eles chegavam e, na escola, eram meus amigos". Acho que a saudade desse povo era tanta que não passou em nenhum momento pela sua cabeça o fato de que o Nordeste é a região com o pior desempenho eleitoral do PSDB no país e que ele é candidato tucano cotado para concorrer às eleições de 2010.

terça-feira, 14 de julho de 2009

No meio dos carros...

Bom, não sei se é porque estou morando longe de São Paulo, mas toda vez que volto pra cá sinto que a cidade ganhou mais milhares de habitantes, parece até que vai explodir! É fila pra um lado, tumulto pra outro e o principal: um trânsito infernal.

Um dia resolvi sair de casa às 15h justamente pra fugir dos congestionamentos e chegar logo aonde tinha que ir. Assim que entro em um túnel tenho uma grande surpresa: tudo parado. Respiro fundo e decido não me estressar. Fico ouvindo música. Engato a primeira marcha, acelero e logo paro novamente. Fico nesse túnel uns 30 min, quando consigo sair me deparo com uma confusão. Uma ambulância tenta, desesperadamente, passar, um senhor com sua carroça se enfia por entre os carros, as motos passam tão rápido nos corredores que parecem que vão levar junto os retrovisores dos carros.

O farol fecha e pessoas vêm entregar um turbilhão de panfletos e jornais, meninos fazem malabares no farol e vejo um tiozinho, velho conhecido, que está sempre lá, na mesma esquina, e sempre faz a mesma coisa: escolhe um carro, vai até lá pedir dinheiro e não importa o que você diga ou faça, ele continua insistindo por uma esmola ou, caso a pessoa já tenha dado, insistindo por mais. Minha tia até já tentou levar coisas pra ele, tipo roupas ou comida, mas, não. Ele conta sempre a mesma história "eu preciso voltar pro nordeste, minha família está precisando de mim lá e tenho que juntar dinheiro pra passagem". O engraçado é que ele está nessa busca pela tão aguardada passagem há anos. Coitada da família que espera.

Me espanto quando olho pro lado e vejo um cara passando de bicicleta, no meio daquela barulheira, daquela confusão. Ele ouve música, e parece tão calmo e tão tranquilo, que posso jurar que ele está olhando pra todos que estão nos carros com vontade de rir "ah, vou chegar muito antes que vocês!". Talvez a solução seja essa mesmo, ir aos lugares usando transportes alternativos como esse. Certo, esse cara nos mostrou uma medida certa a ser tomada, o governo até tentou conscientizar as pessoas e incentivar o uso de bicicletas, colocou bicicletários em algumas estações de metrô. Mas ainda não é o suficiente. Falta o mais importante: e as ciclovias, onde estão?

Observando os carros ao lado, também me deparo com uma porção de ônibus que carregam faixas de protesto dizendo "Este ônibus fretado tira 20 carros das ruas. O fretado não pode acabar". Pois é. A partir do dia 27 de julho os ônibus fretados vão ser proibidos de circular nas áreas centrais de São Paulo e em avenidas como a Paulista, a 9 de Julho, a Berrini e a Faria Lima. Para Kassab, esse tipo de ônibus piora o congestionamento porque, sem regras, eles param em fila dupla, em esquinas, e prejudicam os ônibus comuns quando demoram parados nos pontos. É, está claro que essa é uma medida tomada com urgência para tentar melhorar o trânsito a curto prazo. Mas se o governo não aumentar e melhorar os transportes públicos coletivos, a situação só vai piorar e essas mesmas pessoas que utilizavam os fretados vão sair com seus carros nas ruas e São Paulo vai parar de vez.

Bom, algumas horas depois consigo finalmente chegar. Faço o que tenho que fazer e respiro fundo porque tenho um looongo caminho de volta...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Em busca da felicidade

A felicidade é relativa. O que pode ser sinônimo de realização, satisfação ou conquista para alguns pode significar derrota, frustração ou decepção para outros. Mas o que há de comum entre essas pessoas é que todas estão sempre em busca da felicidade.

Um filme recente de Woody Allen retrata muito bem essa incessante procura. “Vicky Cristina Barcelona” nos mostra que a felicidade é muito mais fácil de se alcançar do que imaginamos. Sempre colocamos barreiras, dificultamos seu acesso, talvez porque a idealizamos ou então porque temos medo de acreditar que não é o suficiente quando finalmente conquistamos tudo o que desejamos.



Cristina, personagem de Scarlett Johansson, não sabia direito o que esperava da vida, mas sabia o que não queria. Sabia que não se forçaria a cumprir o protocolo social. Não seria fazendo o que as pessoas consideram o “normal” ou o “comum” que ela finalmente se consideraria uma pessoa realizada. Cristina, diferente de muitos outros, não foi hipócrita. Simplesmente amou e se deixou amar, chegando, naturalmente, no lugar aonde seus atos a levaram.

Ao mesmo tempo em que ouvia críticas e reprovações, Cristina amou Juan Antonio (Javier Bardem), amou Maria Elena (Penélope Cruz) e formou, com eles, um triângulo amoroso no qual a única regra era viver exatamente o que sentiam, sem se importar com o “correto”. Afinal, quem pode denominar o que é “correto”? Quais os parâmetros certos a serem usados? Ninguém sabe... por isso Cristina, Juan Antonio e Maria Helena se amaram, moraram juntos, desenvolveram ódio, mágoas... viveram. E viveram intensamente e sinceramente tudo o que lhes era permitido.

Pensar que três pessoas puderam cultivar um único amor pode parecer loucura? Pode ser.. mas foi assim que eles descobriram que isso tudo era a felicidade que, sem nenhuma utopia, alcançaram.

Em uma “fábula futurista” de Aldous Huxley chamada “Admirável Mundo Novo” a sociedade é completamente organizada. As pessoas são divididas por castas, elas não sentem dor, não sofrem, não têm vontades próprias e o único sentimento que têm, a felicidade, obtêm por meio de doses regulares. Essa sociedade parece-nos algo impossível, mas, cada vez mais, torna-se mais próxima da que vivemos. Isso porque muitos estão sempre procurando seguir o protocolo social. Seria essa forma de felicidade que buscamos? Acho que não.. seja por meio de aventuras, de amores, de rancores, de loucura.. a receita é simples e única: apenas permita-se viver.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Espetáculos pelo mundo



1947: a ONU aprova a construção do estado de Israel em território reivindicado durante muito tempo pelos judeus. Essa decisão tomada pela Organização das Nações Unidas foi uma tentativa de "indenizar" o povo judeu pelo massacre vivido durante a Segunda Guerra.

Naquela porção de terra, a leste do Mediterrâneo, que atualmente é compartilhada por palestinos e israelenses assistimos o desenvolver-se de uma verdadeira guerra. Toda a humilhação, os ataques e as torturas que os judeus viveram nas mãos dos nazistas, eles transmitem hoje ao povo palestino, cuja ala mais radical, em contrapartida, não aceita a presença do povo judeu em território muçulmano. Sabemos que aquele pedaço de terra representa muito para muitos povos e a guerra dificilmente terá um final próximo.

Enquanto os povos guerreiam, protestos são observados em diversos cantos do mundo. Em Londres, cerca de 10 mil pessoas arremeçaram centenas de sapatos na entrada da residência do primeiro-ministro Gordon Brown, fazendo referência ao protesto de um jornalista iraquiano em Bagdá, que atirou um par de sapatos contra Bush. Protestos das mais diferentes formas também foram realizados nos EUA e em locais como Bruxelas, Haia, Amsterdã e Chipre.

Diante de tudo isso, nos vem a questão: o que sapatos arremessados no primeiro-ministro britânico representam frente à morte de milhares de crianças e mulheres inocentes? Talvez tudo isso seja nada mais que um simples espetáculo, uma mostra de exibicionismo, mas simplesmente não há outra escolha. Havia apenas uma opção: dar o espetáculo ou nada fazer.. eles ficaram com a primeira opção.

Enquanto pessoas que nada têm a ver com a guerra morrem simplesmente porque estavam no lugar errado e no momento errado, outras em outros lugares do mundo vêem-se angustiados pela impotência. Eles apostam em atos e manifestações que, não levando uma solução à guerra, podem, ao menos, mostrar aos responsáveis por ela que ainda existe quem não a tema, ainda há quem realmente se importe com o fim que esses povos em questão terão.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Lamentável ajuda...


Não é a primeira vez que fenômenos naturais arrasam cidades inteiras, destroem casas, fazem vítimais fatais e geram miséria por onde passam. Assim como em 2006, quando a costa sudeste da Ásia sofreu com os estragos causados pelo Tsunami, neste ano, moradores de cidades como Itajaí e Blumenau, em Santa Catarina, viveram uma catástrofe causada pela chuva.

Frente à enchente que assolou cidades catarinenses e o drama vivido por diversas famílias, pessoas do Brasil inteiro resolveram praticar um ato de solidariedade e fazer doações de alimentos, roupas, brinquedos etc. Apesar do esforço por parte dessas pessoas, grande parte do material não tem chegado àqueles que realmente precisam, pois voluntários que trabalhavam no encaminhamento dos itens doados e alguns soldados do Exército foram flagrados furtando roupas, mantimentos, tênis, entre outros.

É incrível como pessoas como essas têm a coragem de roubar materiais que se tornam essenciais na vida de quem perdeu tudo ou quase tudo com as chuvas. Muitos que não têm onde morar, o que vestir e nem sequer o que comer deixam de ter o direito de receber as doações feitas para eles por pessoas de diversas classes sociais, muitas que a muito custo enviaram sua ajuda. Enquanto ouvimos falar neste lamentável "desvio", recebemos a nota de que um morador de Ilhota que perdeu a casa e cinco parentes durante as chuvas devolveu R$ 20 mil achados em um casaco doado para sua família. É com notícias como essa que ficamos cada vez mais confusos quanto a índole e o caráter do ser humano.

domingo, 7 de dezembro de 2008

"Here's Johnny!"


(Apesar da rejeição por parte da Mamute)

“O Iuminado” é um filme lançado em 1980, pelo diretor Stanley Kubrick, e baseado no livro “The Shining” de Stephen King. O elenco principal conta com a presença de Jack Nicholson, Shelley Duvall e Danny Lloyd.

O longa-metragem se passa no Colorado, EUA, onde Jack Torrance é contratado para vigiar um hotel por 5 meses em uma época de baixa temporada, durante a nevasca. Jack leva para o local sua esposa e seu filho. O garoto, o iluminado, que possui poderes sobrenaturais, consegue enxergar tragédias ocorridas no hotel tempos atrás e Jack Torrance, vivendo em meio a um contínuo isolamento, começa a ficar agressivo e apresentar acessos de loucura.

Com uma trilha sonora aterrorizante, ótima performance dos atores e longos planos, Stanley Kubrick trás às telas todo o pânico vivido nos imensos corredores do Overlook Hotel e, assim, faz uma excepcional adaptação do best-seller de Stephen King. Para compreender o clássico do suspense, é preciso mergulhar no universo de um dos maiores cineastas do século XX, conhecido por retratar, como poucos, o lado escuro da natureza humana.

Para produzir o filme, Kubrick decide retirar parte dos “monstrinhos” presentes na obra de King para dar ênfase nas atitudes e olhares de Jack, personagem de Nicholson, que são, sem dúvida, muito mais aterrorizantes. O diretor consegue, com êxito, nos transmitir a degradação dos personagens no sentido psicológico e, com a impecável atuação de Nicholson, expor aos expectadores a angústia e perturbação da mente huamana, além da mais profunda sensação de solidão.

Considerado, por muitos, a obra prima do suspense moderno, "O Iluminado" é, por outro lado, muito criticado por não ser um filme explícito de sustos. Ele é um filme destinado àqueles que se sentem tentados com a despertar de seus medos interiores.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Saudosa velharia

Vivemos constantemente em meio a mudanças. Os hábitos, as idéias, a moda, os meios de locomoção, a tecnologia.. tudo se transforma em um ritmo cada vez mais frenético.

Tempos atrás, as pessoas, para registrar momentos de sua vida, precisavam abrir a máquina fotográfica, encaixar o filme, aproximar seus olhos daquele quadradinho que havia na parte de cima, tirar a foto e rodar o filme para deixá-la preparada para a próxima captação de imagem. Depois de usar todas as 12, 24 ou 36 poses, a gente tinha que levar o filme para revelar. Junto com as fotos vinham os negativos, no caso de querermos cópias. Com a fita de vídeo, praticamente a mesma burocracia se pensarmos na necessidade de rebubiná-la toda a vez que queríamos assisti-la. Os trabalhos de escola ou faculdade eram guardados em disquetes e as pessoas costumavam ouvir músicas gravadas em CD.

Alguns anos depois tudo mudou. A boa e velha máquina fotográfica transformou-se na tão famosa máquina digital que, afastada de nossos olhos, conseguimos ver a imagem que queremos enquadrar, não usamos filme e muito menos precisamos nos preocupar com revelação. Basta conectar o cabo USB da câmera ao computador e as fotos logo pulam para lá. Além disso, programas como Photoshop permitem molda-las e deixa-las do jeito que mais nos agrada. Os filmes são gravados em DVD, os ultrapassados disquetes viraram pen drives, objetos mínimos que possibilitam o armazenamento de músicas, vídeos, fotos, textos ou qualquer coisa que a imaginação permitir.

A tecnologia evoluiu, é certo que facilitou nossas vidas, mas é impossível negarmos que rola uma certa nostalgia se pensarmos nos nossos anacrônicos, porém queridos eletroeletrônicos. Ainda bem que ainda temos o amor como artigo perene em nossas vidas, porque a tecnologia...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Brasília: um recanto de artistas esquecidos

A onda de famosos que apostam suas fichas na política está cada vez maior. Mas a nova moda não pegou por acaso. Muitos fãs dão chances de seus ídolos engatarem na vida política quando encontram-se no papel de eleitores.

Há dez anos, o jogador de futebol Biro Biro foi eleito vereador de São Paulo, e mais recentemente, em 2006, o apresentador e fofoqueiro Clodovil Hernandez foi eleito deputado estadual pelo PSC. Até Silvio Santos já se aventurou na política tentando o cargo de presidente da política em 1989, mas teve sua candidatura vetada 15 dias antes das eleições.

No último Domingo, a Cantora Gretchen, famosa rainha do rebolado, disputou a eleição para a Prefeitura de Itamaracá, em Pernambuco, e a ex-chacrete Rita Cadillac pretendia ser vereadora da Praia Grande, cidade litorânea de são Paulo. Mas o número de eleitores foi insuficiente para poderem deixar no passado a vida do rebolado. Perece que, agora, o êxito político está sorrindo para os cantores. Netinho de Paula ex-integrante do grupo Negritude Jr. foi o terceiro vereador mais votado de São Paulo e o cantor de forró Frank Aguiar foi para o segundo turno como candidato à vice-prefeitura de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Em tempos de democracia, todos os cidadãos têm direito de escolher as pessoas responsáveis por representá-los seja onde for. Mas o que podemos ver é que tal poder de decisão tornou-se mera brincadeira. Sair de casa no domingo e enfrentar fila para exercer a cidadania parece não significar muita coisa para milhares de brasileiros que, por simples simpatia pelo candidato ou banalização do voto, acabaram colocando pessoas que nada tinham a ver nas cadeiras do Senado, da Câmara dos Deputados etc.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

59 anos de um Governo desumano

Os chineses comemoraram, nesta quarta-feira, os 59 anos da República Popular da China. O Partido Comunista da China (PCC) governa o país por meio de um sistema de partido único desde a revolução, liderada por Mao Tse-Tung, que derrubou a dinastia Manchu. O líder angariou grande parcela da população que, no contexto pós Segunda Guerra Mundial, depois de ver seu país invadido e tendo sofrido todas as conseqüências que uma guerra gera por si própria, sofria com os problemas de miséria e exploração.
Na praça da Paz Celestial, no centro de Pequim, 190 mil pessoas se reuniram para ouvir o hino nacional e assistir ao hasteamento da bandeira da China. Muitos chineses chegaram antes da meia-noite para conseguir ficar próximos à ela. O evento mostrou-se bastante comovente e de grande relevância para o país: durante o hasteamento, 10 mil pombos foram soltos e o presidente Hu Jintao colocou um buquê de flores diante do Monumento aos Heróis do Povo na Manhã, além de ter decretado feriado nacional durante toda a semana.
O massacre ocorrido há quase 20 anos na mesma praça pelas forças de segurança contra estudantes que realizavam um protesto por maior liberdade no país reflete uma contradição existente no país. Enquanto o Governo chinês mostra-se extremamente repressor, autoritário, ignorando os Direitos Humanos e a liberdade de expressão e de imprensa, o povo, aquele mesmo povo que tempos atrás lutava por um país mais justo, pelo fim da exploração e por uma vida mais digna, hoje lota uma das principais praças do país para, justamente, prestigiar o Governo.
Os propósitos da revolução que o líder chinês desejava não vingaram. Atualmente o país afunda no poço da “desumanização”. Enquanto isso, o povo finge que nada acontece e deixa ir embora tudo o que um dia sonharam alcançar.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008


De acordo com a Folha, animais de um zoológico chinês estavam sendo vítimas de leite adulterado. Os bichinhos eram alimentados com leite em pó da marca Sanlu, comercializada com altos níveis de melamina, composto que disfarça a diluição da bebida em água e eleva o nível da proteína. Testes realizados apontaram a presença de cálculos renais na maioria dos animais e , além disso, 4 filhotes morreram.
Essa notícia não nos remete a algo ocorrido no Brasil ano passado?
A Parmalat também já aderiu à moda de "batizar" os leites longa vida, mas, nesse caso, as substâncias adicionadas aumentavam o volume da bebida e disfarçavam as más condições de conservação.
É admissível que as empresas tenham ambições em relação ao mercado, que se empenhem para liderar nessa luta contra a concorrência. Porém, a partir do momento em que esse esforço se reflete na ameaça da saúde de pessoas e animais, a situação passa a ser diferente...

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

"Por você, faria isso mil vezes"

O "Caçador de Pipas" é um best-seller de Khaled Hosseini e que, recentemente, tornou-se um longa-metragem dirigido por Marc Foster. Eu, sim, li o livro e assisti ao filme e, querendo dar uma de crítica, vim deixar aqui minhas impressões.

A história tem como pano de fundo um ambiente bastante tumultuado, época em que o Afeganistão é invadido pela União Soviética e, posteriormente, comandado pelo regime Talibã. Enquanto isso, o autor narra a história de Amir, um garoto rico de Cabul, e seu fiel amigo e filho de um empregado de seu pai, Hassan.

Quando crianças, os garotos vivem em um ambiente tranqüilo de Cabul, participam regurlamente de campeonatos de pipas, passeiam pela cidade. Amir vence uma certa competição ao cortar a pipa de seu último adversário. O corajoso Hassan, então, foi buscá-la para o amigo e dar-lhe como forma de troféu. Mas, quando alguns garotos tentam roubá-la e ele não cede, é brutalmento violentado. Amir vê tudo o que acontece e, sem reagir, passa a se sentir impotente e culpado.

A então tranquilidade e beleza do Afeganistão o abandonam por conta da instabilidade enfrentada, Amir deixa o país, sem nunca mais falar com o amigo, e vê a culpa persegui-lo durante toda a vida. Tempos depois, encontra uma maneira de se redimir, de "ser bom de novo".

Tudo bem, eu assumo: a história é uma sucessão de clichês melodramáticos, um pouco previsível e forçada. Porém consegue prender a atenção dos leitores ou expectadores, mostra as várias faces do ser humano, é um retrato histórico da organização social e política vigente. Através dela, temos a oportunidade de conhecer a cultura e os costumes daquele povo tão distante do nosso olhar ocidental. Uma história emocionante, que conquista pela forma que mostra os sentimentos mais sinceros e profundos que podem existir entre duas pessoas.

É realmente "uma daquelas histórias inesquecíveis, que permanecem na nossa memória anos a fio”, como afirmou Isabel Allende.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

"Vila da fantasia"


Após constantes momentos de delay e uma pitada de pressão pélvica por parte das meninas, resolvi postar.

Como primeiro post gostaria de relatar a vocês uma visita que fiz à Livraria da Vila, durante o fim de semana que estive em São Paulo.

A Vila Madalena, muito conhecida pelos seus bares, botecos, baladas e pela sua vida noturna agitada em geral, abriga uma grande e exótica livraria que me impressionou muito e que me fez acreditar que ainda existem lugares onde é possível gastar boas horas com conhecimento, lazer e entretenimento.

Quando cheguei à livraria, reparei em uma mesa grande de centro. Em cima, havia muitos livros intitulados "mais vendidos" e espantem-se: nenhum sobre auto-ajuda. Observei que a vendedora que atendia dois jovens relatava com prazer e profundidade os livros recentemente lançados. As pessoas que trabalhavam no café, dentro da própria livraria, escreviam em uma lousa pensamentos de escritores (o que descobri, posteriormente, tratar-se de uma rotina).

Achei importante contar isso a vocês porque é incrível descobrir lugares assim dentro de uma cidade tão "plural" como São Paulo, onde enquanto poucos têm acesso à cultura, outros muitos vivem frente a uma miséria impossível de se descrever. Mesmo sabendo que lugares como esse não são frequentados pela maioria, por motivos diversos e óbvios, vale uma tentativa ilusória de tentar apresentar locais que, mesmo que teoricamente, estão abertos à curiosidade e interesse das pessoas, sejam elas ricas, pobre, brancas, negras, doutores, semi-analfabetos etc.