Mostrando postagens com marcador Ana Lis Soares. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ana Lis Soares. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Como o ar



Nossa, há muito tempo não posto aqui... Me deu muita vontade de colocar algumas palavrinhas hoje mesmo. Mas, não escreverei nada hoje, então, achei algo muito antigo - e, até mesmo, pessoal... Mas tá valendo. Pensamentos aleatórios, como se diria aqui na FAAC (Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da UNESP).
Aí vai! É antigo, mas é isso aí.



Hoje tirei várias conclusões, mas fiz mais perguntas ainda. Estou naquele dia em que você não sabe quem é, de onde veio, para que veio e por que está se sentindo assim. Ou melhor, porque não está se sentindo assim também. Hoje estou naqueles dias em que busco uma verdade ou uma mentira sobre mim. Estava me sentindo tão sozinha, tão sozinha que sempre quando me sinto assim sei que é porque não estou ali. Dai eu saio de mim e algum ser autômato vive e respira e come e sorri para as pessoas por mim.
Tive aula de filosofia oriental. Aula no bosque, exercícios com o corpo, pensamentos a princípios loucos, dos quais eu me sentia profundamente íntima.
Hoje meu amigo me disse que eu estava como Clarice Lispector em "A paixão segundo G.H": uma mulher entre aspas. Procurando ser um tripé, mesmo conseguindo me manter em duas pernas. Sim. Na mesma conversa, ele perguntou se eu confiava em mim. Silêncio profundo. Não sabia, continuo não sabendo.
Ele me perguntou se eu faria aquela brincadeira de “confiança” comigo mesma. Após algum tempo e algumas interrupções eu disse que não. Pelo menos hoje... Não, acho que sempre. Disse a ele que as pessoas confiam mais em mim do que eu mesma, ou talvez eu ache isso, não sei.
Voltando à aula de filosofia: e a minha maior conclusão de hoje. O professor mandou que andássemos pelo bosque e que nós achássemos algo com que nos identificássemos e que nós contemplássemos essa tal coisa. Teve gente que se identificou com um cachorro, outra com uma árvore, outras duas com a areia, o professor com o céu. Identifiquei-me com o ar. Sim, o ar... Nesse dia em que me sinto tão perdida, vi que sou como o ar...Me procuro a todo instante, procuro o meu eu mais profundo mas não acho... E nem me acharei... Não posso me ver, mas posso me sentir... Assim como o ar. Mesmo me sentindo o nada, como nós (do senso-comum) achamos que o ar é, também sou tudo porque o ar é tudo, há, sim, vida no ar.
Não sei dizer com as mesmas palavras que disse na hora, talvez porque minha inspiração esteja se diluindo...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

De histórias e poesias

Ainda flutuava na grande barriga da minha mãe quando escutei minha primeira “historinha”. Um mundo mágico foi crescendo à minha volta a partir daí e nunca mais parou de crescer... Sou moça “grande”, agora de verdade, com minhas quase vinte primaveras completadas, mas se pudesse minha mãe até hoje me colocaria sentada na cama e me contaria histórias lindas e mágicas, histórias capazes de colorir o mundo real e fazer com que o peso da vida fuja um pouco das costas e vá para floresta de outras maçãs envenenadas.
Nos meus longos banhos na banheira com a minha irmã, além de patinhos de borracha e bonecas da Mônica, participavam os livrinhos de plásticos que nos ensinavam sobre cores, números e formas. Também tinha livrinhos de panos, daqueles para sentir texturas... Tinha livrões imensos do palhaço Pilu...Tinha livrinhos de princesas, que vinham em bauzinhos que tocavam musiquinhas quando eram abertos: aquilo, essa sinestesia entre sentir a música e a literatura em mim, me encantava, me atraía e eu não resistia (mesmo não tendo idéia de como aquilo seria importante para a minha formação humana).
Tinha seis anos e começava a aprender a ler. Aprendi a juntar as letrinhas com a “tia Maísa”, na escolinha mais gostosa do mundo, Criança Feliz. Da Criança Feliz até minha casa, cantava musiquinhas de sapos que não lavam o pé e, intercalando com isso, lia letreiros enormes para a mamãe:
- “Co-ca... Co-la”, “Ca-be..”... Mãe, como que lê essa palavra?
- Cabelereiro, filhota.
Chegava em casa e papai sentava na cama e mandava eu ler várias manchetes de revistas e jornais e ia me corrigindo as palavras erradas. Uma a uma.
Monteiro Lobato sempre foi o meu íntimo na infância. Mas não o lia, o escutava. Todo dia à noite, mamãe contava milhões de aventuras de Emília, Narizinho e Pedrinho. Cada dia Tia Nastácia fazia um quitute melhor e eu morria de vontade de comer. Aliás, até hoje tenho.
Depois de uns anos, quando já alcançava a prateleira da biblioteca - minha e de minha irmã (nós temos nossa biblioteca até hoje, mesmo eu estando em Bauru e ela em Ribeirão Preto...) - buscava livros e me sentia a pessoa mais importante do mundo: achava incrível isso: meus pais sempre lendo e eu lá, lendo que nem eles. Chiquetérrima!
Depois que terminava, ia lá ostentar pro papai – que tava assistindo à Fátima e ao William - de como eu era uma boa leitora e uma boa menina:
- Papai, li esse livro, ó! – e exibia o escolhido da vez.
- Ah é, filha? E o que esse livro conta?..
Fui crescendo e a minha biblioteca também. Vieram os clássicos, os pedidos na escola (inclusive os do meu pai).
Agora, o maior responsável por minhas leituras, fora meus pais, era o meu avô paterno: o maior leitor que eu conheço. De “línguas vivas, mortas e extintas”, como ele costuma classificar. Coisa de linguísta!
Eu já tinha meus dezesseis anos e passeando pela praça com minha mãe pedi de presente para o “dia das crianças” um livro de poesias de Vinícius de Moraes (minha eterna paixão), “O poeta não tem fim”. Diz mamãe na dedicatória que o livro era pra me deixar em “estado de graça”, e assim o foi e é. Uma bíblia para mim.
Depois de Vinícius vieram Pessoa, Drummond (meu conterrâneo), Lispector, Machado e Kundera, meu último autor até esse instante.
“Um país é construído de homens e livros”, disse certa vez meu íntimo nas noites mágicas, Monteiro Lobato. Não sei se é assim que funciona praticamente, apesar de desejar que assim seja. Mas de uma coisa eu sei, porque sinto: que do palhaço Pilu a Kundera foi construída uma alma, minha alma, que é feita de histórias e poesias.

sábado, 21 de março de 2009

Semana Pélvica!


NÃO PERCAM, SENHORAS E SENHORES leitores do Mais que Pélvis!

VEM AÍ: SEMANA PÉLVICA, EDIÇÃO 1!!!!!!

ESTRELANDO: MALLU MAGALHÃES!!!!!!!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Com café e sem cigarros...

Esse texto é mais uma confissão da aspirante à jornalista aqui. Tenho que escrever, desabafar, porque já estou com dor no estômago.
Cheguei em casa, umas 19h, depois de uma entrevista com um médico-ginecologista - que, por sinal, foi muito legal comigo - sobre o caso da menina estuprada... Sim, aquele caso da menininha de nove anos que sofria com o abuso do padrasto desde os seus seis anos de idade. E para aqueles que não viram na grande mídia, o tal Maudrasto (ou monstrodrasto) abusava não só dela, mas da irmã dela, de 14 anos que tem deficiência mental!!!!!!! É, fiquei indignada. A coisa é triste, realidade longe de mim mas que me faz sofrer.
E, como uma ironia da vida - da Terra dos Homens, não de Deus - a mãe da criança foi excomungada, os médicos, os enfermeiros (que não foram muito citados, mas que foram lembrados pelo bisbo de Olinda e Recife, dom José Cardoso), mas... Não, o padrasto não foi! Dá para acreditar?! Não, né? Pois é, mas de acordo com as leis da Igreja Católica, o crime do aborto é mais grave que o de estupro e o de pedofilia. Ah! E a criança só não foi porque é muito nova para isso...
Bom, mas não vim aqui desabafar sobre isso. Até mesmo porque o assunto está sendo bastante "divulgado" na mídia por toda a semana (principalmente na de 9 a 15 de março).
Vim porque eu fui encarregada de escrever sobre esse caso para o jornal laboratório EXTRA sobre o caso e não consigo! São 23h15 e ainda não escrevi uma linha sequer sobre... Não sai. O parto está dificil.
Estou me sentindo aqueles jornalistas à moda antiga, que fumavam loucamente uns CEM cigarros e bebiam café um atrás do outro buscando a inspiração. Achava isso lindo, meu sonho era ser como eles, loucos, alucinados! rsrs...

O café já bebi... Os cigarros não fumei... E a inspiração, cadê?

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Sexta-feira, 13!

Ah, só para não deixar passar em branco a sexta-feira 13. Não que eu seja lá a pessoa supersticiosa nem nada do tipo, mas é uma tradição e olhe lá que essa veio recheada de acontecimentos um tanto quanto sinistros... Sinistros? Ah, não sei, mas veio recheados de acontecimentos - pessoais e mundiais.
Bem, aí vai:

- Eu ia viajar hoje para Ribeirão Preto para visitar a minha irmã. Feliz e contente acordei e olhe só o céu: tava chovendo!!! Como assim? O medo e a decepção me invadiram, me ocuparam, até eu entrar dentro do carro com a minha mala e dizer: "ah, eu não vou mais". Bela coisa, agora estou aqui em casa sozinha, enquanto a minha mãe dá aula na faculdade ainda presa pela chuva de São Pedro.

- Um avião caiu lá nos Estados Unidos, país de Obama, e olhe só coitado do presidente: esse é o segundo acidente desse tipo no país, mas o da sexta 13 acabou com um final trágico: 40 mortos e 2 feridos.

- Uma brasileira é agredida por supostos Neo-nazistas na Suíça. A vítima, advogada Paula Oliveira, ainda afirma que estava grávida de gêmeos e que sofreu um aborto por causa do ataque. A notícia foi destaque por toda a sexta em todas as mídias, principalmente a TV e a net (que tem sido minhas companhias nessas férias de chuva). Mas agora, a polícia suíça alega que a brasileira não estava grávida no dia do ataque e que, ainda, pode ter se auto-mutilado (me desculpem se não há mais o uso do hífen nesse caso...). Meu Deus do céu! Fiquei confusa agora. Será xenofobia ou qualquer loucura da advogada?

Mas calma, pessoal! Na sexta-feira 13 também há notícias boas!

- O ovo, o bendito ovo de nossos "um dia sim, o outro não", o sempre vilão da nossa culinária foi estudado por especialistas e vejam só: a quantidade de colesterol presente no ovo é insignificante, portanto, não nos faz mal como a lenda diz! E viva o ovo! Mas olhe lá, evite, ainda, os fritos!

- Um homem na Europa curou da AIDS após um transplante de medula óssea!!! É uma esperança para os mais de 30 milhões de humanos que sofrem da doença. O médico responsável pela pesquisa afirma que ainda há muito o que se estudar e que, é claro, o doador deve ter boas condições de saúde e defesa para a DST.

- Eu vou acabar ficando em casa mesmo e lendo o livro "A insustentável leveza do ser", que é um ótimo livro e me faz companhia, além da net e da TV! Além disso, tiro um pouco o peso na consciência de não ler e essas coisas intelectuais!

- Ah! Amanhã é sábado, dia de sair com a galera e ficar mais uma hora na balada, afinal de contas, minha gente: terminará o horário de verão!

domingo, 28 de dezembro de 2008

Ensaio sobre a decepção


Parafraseando José Saramago, apenas no título, não conseguiria mais que isso, quero escrever hoje sobre a decepção.
Nesses tempos de fim de ano, quando as pessoas se lembram das boas palavras - que remetem a bons sentimentos- e saem por aí, dizendo e dizendo (quase nunca sentindo e desejando de verdade)... É aí, eis que surge aquele ser humano que você nunca fala, que nunca dirige a palavra e muito menos o olhar para você e diz, com aquele sorriso de fotografia (se é que me entendem) e diz: "Feliz Natal, Feliz Ano Novo! Tudo de bom para você e sua família... Paz, saúde, amor, esperança"... Ahhh... É sempre assim. E é a partir daí que eu começo a me decepcionar.
Sim! DECEPÇÃO! Palavra feia, né?! Proibida, pelo menos no sagrado mês de dezembro! Ora bolas, as pessoas vivem essa "indústria da esperança", como disse Drummond. Esperam ser mais felizes, mais ricas, mais saudáveis, mais mais no dia que vem vindo. No reveillon soltam-se fogos cheios de esperança de que quando todos acordarem, que estejam todos melhores, mais mais. Mas aí, as pessoas voltam para casa na manhã, bêbados, com o branco da roupa um tanto quanto escuro cheirando a champanhe, cerveja e vinhos. Mas quando voltam, não se importam com o ser humano que está ali, em seu passeio e dizem "malditos vagabundos, não trabalham e ficam enxendo o saco". E aí, depois que acordam, cheios de ressaca, continuam sendo quem sempre foram, não procuram mudar, fazer acontecer o que na meia noite passada tanto desejaram. É... Esperam que todas as palavras bonitas que ouviram e que falaram na noite anterior venham e batam na porta, assim como aquele senhor cheirando a pinga fez.
Não, não, não! Bando de babacas alienados! Não vão bater à sua porta! Você é que vai ter que correr atrás, se quiser. Parem de reclamar, comece assim! Por favor, agradeçam mais. Mais e mais. Assim, quem sabe, vocês possam ser mais e mais. Sei lá.
Continuaremos (porque eu também faço parte dessa cadeia de bobagens) a errar, a trair, a mentir, a pecar, a amar, a odiar, a cantar, a chorar... Continuaremos a nos decepcionar... Mas, continuaremos.
Ahh... Sei lá! Queria só desabafar, na verdade. É que, como faço parte da indústria da esperança, desejo para esse ano de 2009 que as pessoas sejam mais mais, que elas comecem a agir para ser assim. E aí, a palavra decepção vai, cada vez mais, fugir do meu vocabulário. Do nosso vocabulário.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Eu recomendo!


Sem querer trazer uma grande crítica de cinema, porque isso eu não posso nem sonhar em fazer (devido a um currículo, nessa área, tão branco quanto às roupas das propagandas do OMO e do ACE) trago hoje uma sugestão de filme gostosa e divertida para todo mundo que, como eu, quer desfrutar bem das férias.
O filme francês "O fabuloso destino de Amelie Poulain" simplesmente vale a pena. Não querendo dizer que ele trouxe de volta a maravilha do cinema francês, nem dizendo que a atriz principal, Audrey Tautou, é A atriz... Mas sim, o filme e a atriz e o enredo, e, principalmente, a forma com que a história é contada são surpreendentes. Dá até gosto de ver!
A sinopse? Está aqui a baixo... Confiram... Mas peguem o filme, não vão se arrepender! É original e mágico!

Amélie Poulain (Audrey Tautou) é uma jovem e humilde garçonete. Sua infância não foi das melhores; seu pai nunca se aproximou de verdade e só chegava perto dela para fazer exames (já que ele era médico); seu peixinho sempre tentava suicídio; e sua mãe teve uma morte trágica e estranha (acreditam, é muito estranha). Morando em Montmartre, um bairro de Paris, Amélie encontra em seu novo apartamento uma caixa que contém objetos pessoais e sua conclusão leva a crer que essa caixa é do ex-morador do local.

Amélie vai então em busca do suposto dono daquela caixa. Quando ela o encontra e nota a felicidade do homem ao rever seus objetos recuperados, algo muda em Amélie. Ela vê agora um novo sentido de vida. Ela então passa a sempre fazer o máximo para ajudar as pessoas; seja encontrando coisas pessoais; ocultando algumas coisas; juntando casais; e outras coisas. Mas falta algo em sua vida: um grande amor. Que parece ter surgido em um de seus feitos. Agora, depois de ver a felicidades de todos, ela quer a dela também.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Abortar ou não abortar, eis a questão...

E mais uma vez o assunto "aborto" entrou em discussão. Hoje, segunda-feira, o presidente do nosso país (e que coragem a dele!) colocou o tema na mesa e defendeu que a dicussão sobre o direito de se abortar é uma questão de saúde pública.
Nada mais justo, já que em se tratando de abortos e dos danos que eles causam de saúde, inclusive danos morais, quando não se causa a morte das mulheres - parece ser inexistente no nosso país!
Ora, esse comportamento é muito pélvis!!!!!!!! Todos nós sabemos que milhões de mulheres morrem por ano fazendo abortos clandestinos, cheios de risco à saúde. Claro que mulheres pobres, né? Já que as madames "não abortam, são sempre moralmente corretas e religiosamente perfeitas". Defender a discussão desse assunto é mais do que necessário e, problemas à parte, Lula está certo (e um um tanto quanto atrasado)em defender essa causa. Afinal de contas, quem sofre, pra variar, são as pessoas que estão na base da pirâmide. E defender o direito ao aborto, não é defender a morte de crianças inocentes e indefesas, é defender um problema sério de saúde pública.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Férias... Pra quê te quero!!?


É... As férias estão aí. Para todo estudante, esse, com certeza, é o moneto mais esperado do ano. Descansar, ficar na vadiagem, ver filmes e filmes com os amigos (ou com o(a) namorado(a)), jogar bola, nadar, tomar sorvete, ir ao cinema... Dormir e acordar na hora que bem desejar - e na hora que achar que seu humor tá de bem com a vida.
Cheguei na minha terrinha, matei saudades de tudo o que eu sentia - afinal de contas, estava em Bauru e há dois meses não voltava a Passos. Nossa, que delícia é você chegar e ver o sorriso de pessoas que você ama: da irmã, da mãe, do pai. Nada melhor do que entrar em casa e sentir o cheirinho de café da tarde. Nada melhor do que você chegar no seu quarto, escarrapachar na sua cama, olhar para cima e pensar, numa quase oração: "graças a Deus eu estou aqui!".
Ahh... Férias! Como é bom! Você à toa, só esperando as amigas ligarem e avisarem qual o próximo programa.
Porém, férias em faculdade são estranhas... A gente passa o ano todo vendo aquelas pessoas quase que 25 horas por dia. Noites e noites em claro para fazer "aquele" trabalho (do Bulhões, se é que me entendem). De repente, cada um vai pra sua cidade (pro seu quadrado) e, aí, é tchau e até daqui 3 meses!
Poxa, é estranho! Me peguei pensando nisso e levei um susto. Como é que meus colegas vão estar? Quem será que vai chegar solteiro, namorando? Quem será que vai , mudar o visual, pintar o cabelo de azul!? Quem será que vai estar feliz, quem estará com problemas? Quem será que vai lembrar de mim, nem que seja por um dia? Quem não pensará nisso?... Quem será que vai voltar (tem sempre aqueles que "abandonam o dadá)?
Bem, as férias estão aí. Isso, acho que todos estão sabendo - e curtindo. Mas, o que eu queria com esse post era desejar boas férias a todos. Que descansem, façam coisas malucas, que tomem chuva dando risada, que passem um natal maravilhoso, que comemorem o reveillon com aquela industrialização da esperança (como acreditava Drummond). Ah! Queria, principalmente, que todos tivessem essa impressão que eu tive ao voltar à minha terrinha: de como é bom estar aqui, de como é sem comparações estar em casa. De como é maravilhoso sentir esse cheirinho de café fresco... Mas de, no fundo do peito, ter a certeza de que tudo isso se torna melhor porque ficamos longe por um tempo e, como filhos pródigos, sempre retornamos a essa instituição careta, mas fundamental, chamada LAR!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Dps da TPM...TPN!

Uma notícia nada agradável. Se você está cansado de sofrer de TPM, aquele estress, aquela coisa chata que te incomoda até a respirar... Ou se você não aguenta sua namorada "naqueles dias", quando ela fica de sinal vermelho, chata pra burro, só qurendo saber de comer chocolate... Calma! A TPM não é a única tensão de que você pode ser vítima.
Pesquisas realizadas por psicólogos do Brasil (do Internacional Stress Management Association - Brasil) revelaram que o estress na população brasileira no período do natal chega a aumentar 75% em relação ao resto do ano.
Os estudiosos explicaram os motivos para tanta tensão: trânsito, sobrecarga de trabalho, compras de Natal e festas. Tudo isso ajuda a agitar o fim de ano de qualquer um, não é verdade? Portanto, se você sentir sintomas como dores de cabeça e no corpo, alterações gastrointestinais e aumento da pressão arterial), emocionais (ansiedade, angústia e preocupação) e comportamentais (uso excessivo de drogas lícitas ou ilícitas, álcool, tabaco e ataques à geladeira), lembre-se de que isso pode ser TPN, ou tensão pré-natal.
Para tudo isso, relaxe. Pense que há sempre uma luz no fim do túnel, ou melhor, um peru no fim da mesa.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Só para não deixar em branco...



Esse post é só para não deixar em branco a GRANDE vitória dele, o primeiro presidente negro (e judeu!!1 - só faltava ser comunista...), Barack Obama. O questionamento que faço, aliás, não questionamento, mas reflexão ou observação: o que você espera dele? Isso mesmo, você, leitor do Mais que Pélvis!!!
Porque eu nunca vi na vida, algo do tipo. Obama chegou que nem Jesus Cristo. A espera de mudança dos americanos (e do resto de todo o mundo) é tamanha que o peso que esse homem de quarenta e sete anos carrega não deve ser nada fácil, mesmo antes de ser efetivamente presidente dos EUA.
E dali Obama! Boa sorte!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Caio não Coube, nem Serra...



É engraçado como um final de semana fora pode nos deixar longe e desinformados. Um desses em Minas e eu perdi o bafáfá geral que deve ter sido aqui em Bauru com a passeata de campanha de CAIO COUBE(foto ao lado), que teve a grandiosa presença do ilustre (adjetivo pertinente para a careca também) do governador do PSDB, José Serra. Aliás, uma das caminhadas mais rápidas da história da política de Bauru, que só durou um quarteirão.
Não, não foi por cansaço ou estrelismo de qualquer um dos políticos... Mas sim, devido à manifestação de policiais civis que continuam em sua longa greve (que começou em setembro deste ano). Os policiais exigem um reajuste de 15% em seu salário nesse ano de 2008 e mais 12% ano que vem.
Com direito a spray de pimenta (não se sabe quem o usou), a passeata não aconteceu, o governador levou uma "dedada" na cara e, assim, saiu à la francesa porque não gostou nada nada...
Pobre Caio Coube ficou de bico, porque além de votos perdidos (ou não, né?) sem a passeata, cheirou spray de pimenta e, por fim, não Coube na prefeitura, perdendo para a oposição peemedebista de Rodrigo Agostinho.

domingo, 19 de outubro de 2008

De um dia cinzento...

Sabe aqueles dias cinzentos? Aqueles dias em que você se depara somente com você, com sua imagem em um espelhinho... E de tão íntimo que é com sua imagem, você chega a estranhá-la? Aí você pensa e se interroga... Por que isso, por que aquilo... Por que uma boca tão ntrospectiva, por que olhos tão úmidos... Aí você viaja, se interroga, viaja e cantarola quase como uma reza os versos tão sábios de Cecília Meirelles: "em que espelho está perdida a minha face?".
Sabe aqueles dias cinzentos em que você sente falta de tudo e de nada? Sente falta de amigos antigos, de seus abraços calorosos e tão compreensíveis... Você sente falta dos amigos antigos que olham em seus olhos e já te entendem, e é assim que vocês batem longos papos, trocam tantas idéias e sentimentos... Com a boca sempre fechada.
Sabe aqueles dias cinzentos em que você sente falta daqueles novos amigos, que te fazem tão feliz, te fazem rir e se sentir em casa. Sente falta dos novos amigos que te fazem acreditar, ainda, que existem pessoas boas em todos os lugares do mundo. E que, olha só, você pode nunca estar sozinho.
Sozinho como se sente agora... Em dias cinzentos, em dias que são tudo e nada... Em dias cinzentos que você, para você, é nada e tudo.

sábado, 4 de outubro de 2008

E eles ainda querem tirar nosso diploma?

Como estudante de Jornalismo quero aqui deixar minha indignação. Eles ainda querem tirar nosso diploma. Incrível como não somos valorizados! E mais incrível ainda é que desde que a minha mãe estudou Jornalismo na PUCCAMP (nos antigos anos 70) eles divulgam essa idéia por aí!

Mas olha lá, a sociedade foi interrogada sobre isso. E vejam só! Mais de 70% dos entrevistados disseram achar essencial que os jornalistas tenham um diploma. Ora, gente! Eles querem credibilidade, querem acreditar no que dizemos. Afinal de contas, não é só escrever (como se isso fosse fácil)... É, também, formação teórica, técnica e ética.

Além disso, a pesquisa revela que os leitores/ouvintes/telespectadores estão conscientes da importância do papel do jornalista para a sociedade. A pesquisa feita revelou que 42,7%, disseram que acreditam nas notícias que lêem, ouvem ou assistem, 12,2% que não acreditam, 41,6% que acreditam parcialmente e 3,5% não sabem ou não responderam.

E, mesmo depois disso tudo, continuam com a idéia de acabar com a nossa PROFISSÃO!
Ah!.. Isso é muito PÉLVIS!!!!!

P.S.: A pesquisa foi feita pela FENAJ/Sensus, foi divulgada nesta segunda-feira (22), em Brasília. Dos dois mil entrevistados em todo Brasil, 74,3% se disseram a favor do diploma, 13,9% contra e 11,7% não souberam ou não responderam.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Greve russa causa conflito em membros de comunidade

Acima, Roney-cara-de-pau disfarça para não ser reconhecido


Russo, o grevista: "continuo a minha greve!"

Greve russa gera tensão na comunidade Haja Paciência nessa quarta-feira, 24.



O movimento começou depois que o grevista Renato Russo Diniz, 18, cansou de esperar atitudes de seus sempre ausentes "companheiros" (assim definidos por um deles, Thiago Teixeira, 23) Roney Cara-de-Pau Rodrigues,20, e Gabriel Nem-tô-sabendo-da-greve Salgado,20.

Os dois comapnheiros ausentes causaram indignação no trabalhador Russo, que reclama, resumidamente, por mais participação dos companheiros da sociedade Haja Paciência. Além disso, Russo afirmou, no mesmo artigo, que não voltará a escrever e postar no blog enquanto Thiago não se tornar um engajado participante da política centro-direitista.

De acordo com o grevista, e agora mais um ausente da sociedade "Haja Coxiência", quatro itens terão de ser seguidos para que sua participação aconteça, novamente:



"Lista de exigências:

1 - O blog deve ter pelo menos uma postagem diária, seja de quem for2 - Musta e Buba devem atingir a marca de 22 postagens3 - A postura política do JB deve ser de agora em diante de centro-direta conservadora populista (hehehe, essa é brincadeira)4 - Quero que alguém me peça desculpas (cota de 25% para exigências emo)".



Porém, ainda estamos em uma democracia e, portanto, Roney teve direito de se defender. Em um artigo um tanto quanto articulado, como participante do Sindicato do Blogueiros Ausentes, ele mostrou estar tranquilo com sua situação, defendido pelo grande advogado de Maluf, o Mão-Leve, Roney lembra ao companheiro Russo de que “durante os dois últimos meses eu postei regularmente: um por dia. Mas parece que hackers ligados a oposição tem apagado meus posts com o intuito de denegrir minha imagem junto a Corporação Haja Paciência e abarrotar o processo democrático. Mas o povo está do meu lado!”. Além disso, ele diz que os outros membros entraram num acordo e que a Corporação Haja Paciência S/A não se responsabilizará pelas consultas psiquiátricas de Russo, caso o companheiro tenha complicações advindas da abstinência de postar.



A situação é tensa e não se tem previsão para finalizar.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Enquanto o ponto não chega...

Engraçado como histórias interessantes passam em frente aos nossos olhos, no simples fato de sentarmos em uma poltrona de ônibus coletivo.
Hoje, enquanto vinha à faculdade, observei - como sempre - as pessoas a minha volta, que entram e saem numa sempre triste-isolada-solidão: todo mundo sempre busca uma poltrona na qual se sentará sozinho, com, no máximo, um MP4 de companhia...
E aí, todos "viajam" no mesmo barco, mas e mundos muito, muito diferentes... Então, os pensamentos ficam soltos no ar... E quam sabe, não se encontram e conversam pelo espaço do ônibus e saem, mundo afora, rindo de suas cabeças que lá dentro daquele veículo estão de boca fechada?
Ninguém conversa. Todos estão preocupados com suas tarefas, seus trabalhos, seus amores mal correrpondidos... Ou estão felizes, pensando na noite passada, num email inesperado, num emprego consquistado...
O ser humano é um ser social, mas que consegue ser solitário em meio a tantos outros... Não sei.
Eu só reparo, só os observo, mas eles estão muito preocupados com suas coisas e, por isso, nem percebem que eu os encaro e viajo também; contudo, viajo em história que eu imagino para cada um deles...
Uma mulher carrega um bebê tão lindo que chora, chora... Mãe é mãe. Está sempre ali.
Em um muro lá fora, um grafiteiro me espanta e mostra que não, a "classe" dele não está tão mal politizado como a sociedade insiste em afirmar: "Seja trouxa, vote nos ladrões"!
É... Nos surpreendemos se olharmos bem. Cada ser humano é um livro cheio de surpresas...
Há muita história interessante nos cercando... Há muita surpresa, sorrisos e lágrimas enquanto o ponto não chega.

domingo, 21 de setembro de 2008

Boca fechada, olhos perdidos

Bem, hoje é domingo e cá estou eu, um tanto quanto nostálgica... Aquela coisa bem de estudante que mora fora... Deixa tudo para trás: sua casa, sua família, sua vidinha, seu estado, seus amores, seus amigos... Tudo, tudo para seguir um sonho. Que sim, vale a pena! Além de ser necessário nos dias atuais, essa coisa de estudar e "ser alguém" independente, diplomada, mestre, doutor, pós-doutor e o diabo a quatro... Então, folheando meu caderno, achei uma crônica que escrevi há alguns meses atrás, bem à toa e distraidamente em uma daquelas aulas que não chamam a atenção... Bem, aí vai... Um pouco de reflexão pra esse domingão família (mesmo que eu esteja tão longe da minha...).

Boca fechada, olhos perdidos...

Cá estou eu, sentada, atônita. Uma explosão implode em meu peito, mas meu rosto continua o mesmo: boca fechada, olhos perdidos.
Estou perdida em um tempo e um espaço que são meus, e nos quais vivo intensamente. Vivo intensamente o meu não-viver, ou talvez, apenas, o meu não-reconhecimento (ou meu estranhar) de uma vida agora minha.
Respiro fundo porque o ar já não me cabe mais e me foge quase que insistentemente.
Foge assim, como a memória de meu dia a dia me escapa a cada fechar de olhos.
E nesse momento, já me esqueci daqueles meus sorrisos quase que verdadeiros, esqueço de minha alegria quase que real naquele tempo que já não me é mais, pois ficou preso em um infinito - e é nada além de lembranças acompanhadas de suspiros e nem em pó pode se tornar. Então, meus dias daquele tempo ficam no infinito de mim mesma e eu não sei mais quem sou e se eu já existi e fui...
Mas, se não me sei e se não sei se fui, acontecimentos não me chateiam, nem me alegram, porque já são apenas lembranças acompanhadas de suspiros - e nem pó são.
Cá estou eu, sentada, atônita. Uma explosão implode em meu peito brando... Boca fechada, olhos perdidos.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Última Parada... Terceiro Mundo!



Alguém viu o filme brasileiro escolhido para concorrer ao Oscar 2009, na categoria "melhor filme estrangeiro"?

Pois é, nem eu.

Última Parada 174, o tal filme, é dirigido por um renomado diretor brasileiro, Bruno Barreto (aliás, fofocas à parte, casado com a ex-mulher do graaaande Steven Spielberg).

O engraçado, é que o filme concorreu com mais quatorze, entre eles, Meu nome não é Johnny, Desafinados e Chega de Saudade...

Para concorrer com os outros filmes, Última Parada 174 foi lançado em uma sala de cinema em Jundiaí, sem muitos alardes. Além de ser exibido em Toronto, no Canadá.

O filme é uma ficção baseado em fatos reais, de um sobrevivente de uma chacina no Rio de Janeiro e que anos mais tarde seqüestra um ônibus e faz uma mulher de refém (talvez, alguém ainda se lembre do fato... Triste, no mínimo).

E assim, mais uma vez, a violência do Rio de Janeiro, foco do filme, vai ser divulgada lá fora do país... Não ajudando muito na boa imagem do nosso terceiro mundão... É o espaço que nos dão. Fazer o que?!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Por detrás das urnas

Andando perto da faculdade, pergunto às mulheres que vendem cartões de ônibus. “E a senhora, já sabe em quem vai votar para prefeito?”; a única resposta que tenho é um “ah, minha filha, não sei ainda não... Não me decidi”.
Mais uma vez, escuto essa frase que não quer calar na boca do povo dessa cidade.
As pessoas de Bauru estão indecisas, e seus olhos me dizem que estão um tanto quanto desanimadas para essas eleições. O engraçado é que não enxergo aquele entusiasmo tão colorido, eloqüente, cheio de sorrisos e certezas que se tem nas propagandas eleitorais. A trilha sonora não toca. O que ouço é apenas o barulho dos ônibus, o barulho da pressa dos transeuntes de chegar a algum lugar (ou a lugar nenhum). Às vezes, também, escuto um silêncio ou outro entre o meu “muito obrigada” e meu desânimo de não conseguir depoimento para o trabalho.
Mas não desisto, e continuo a buscar na cidade “do lanche” alguém que vá votar na ex-primeira dama que, olha só, é candidata à prefeita.
Ouço algumas frases que acho interessante destacar, tais como a afirmação de um rapaz bem vestido, trajado com seu ar de inteligência e de bom garoto “tem que ser na Izzo? Olha, querida, aqui em Bauru vai ser difícil você achar alguém que vá votar nela”.
Os olhos puxados do gerente do restaurante me dizem: “Você sabe o que o marido dela fez para Bauru? Já te contaram sobre a corrupção de dinheiro e o desvio de verbas no asfalto da cidade? É por causa do Izzo que a cidade está assim, com esse asfalto sem-vergonha”.
Já no supermercado, encontro (péssimo destino o meu) com aquele jornalista que arregala os olhos e a boca. Fala alto, de maneira revoltada com o meu pedido de depoimento: “onde já se viu, perguntar para um jornalista em quem ele vai votar? Falta de ética a sua, menina. Que professor é esse? Que trabalho é esse? Se fosse alguém do povo, tudo bem! Mas perguntar isso para um jornalista é demais!”. Tudo bem, ossos do ofício. Porém, confesso, não deixei de sentir meu sangue subindo à minha cabeça, quando percebi que todos os olhos e olhares daquele lugar se viraram para mim e para meu veterano um tanto quanto magoado. “Desculpe-me, senhor. Eu não sabia que era jornalista!”. Na verdade, naquele momento, queria xingá-lo e perguntá-lo se eu era obrigada a saber que ele era jornalista, já que não tinha nada escrito em sua testa.
Saindo daquele lugar, correndo, continuei a minha busca... Mas já era à noite, meu estômago reclamava, não queria mais saber de Izzo, nem de ninguém.
Dirigindo-me a minha casa, pensei, animada : “O porteiro! Quem sabe ele não votará em Rosa Izzo? Afinal de contas, muitas pessoas me disseram, durante essa minha saga de hoje, que o pessoal mais humilde vai votar nela, que ela é querida em bairros periféricos da cidade”. Mas, quando o indago, ele me diz que não sabe ainda em quem vai votar. E se for votar em alguém, que não seja em branco, vai ser no Caio Coube. Poxa! Dormirei sem nenhum depoimento hoje.
No outro dia, levantei mais animada, mais inspirada. Na hora do intervalo, me dirijo a alguns pintores simpáticos: “Ei, senhor, por favor, o senhor vota aqui em Bauru?”, interrogo meio tímida, mas isso logo passa, depois do sorriso e da resposta daquele meu mais novo amigo e salvador: “oi, meu amor. Sim! Você perguntou para a pessoa certa, na hora certa. Eu voto em Bauru e, esse ano, vou votar no cara certo, no Caio Coube. Chega de decepções, já me decepcionei com o Lula, com o Tuga e com o Izzo”. Apesar de tanta simpatia, ele entendeu a minha não satisfação em sua resposta. Expliquei a ele minha difícil missão. Ele, como sempre, sorriu, e me falou “mas menina! Que missão difícil que você pegou. Esse professor aí, não gosta de você não, hein?”. Uma simpatia só. Sem mais palavras. Mas, como as pessoas não aparecem na vida da gente por acaso, ele pegou em minhas mãos e as enlaçou nas suas, calejadas, e me levou até um lugar, apontando para frente e, sorrindo, disse: “olha, não conta que fui eu quem falou não, viu? Mas vai ali, ó! Pergunta ‘praquele’ gordinho que tá sentado ali e procura o Marcílio, ele vai votar na Rosa!”.
Agradecida, feliz e um pouco menos desanimada, eu fui. E que coisa! Três pessoas no refeitório dos funcionários da UNESP votarão na ex-primeira dama. Tímidos, humildes. O olhar do seu Antônio me dirige, olhos azuis, talvez de uma esperança e confiança muito maiores do que daqueles seus colegas que olham, curiosos. “Eu vou votar na Rosa porque o marido dela foi bom para Bauru. Dizem que ele roubou, não sei, mas ele foi bom”.
Depois, foi a vez de dona Anilza Araújo, faxineira da universidade. Foi ela, baixinha, tímida como ela só, que antes de tudo, antes de criar confiança em mim e no meu gravador, perguntou: “mas você não vai filmar não né? Nem tirar foto!”. Para a alegria e tranqüilidade de dona Anilza, não faria isso.
E como esse mundo é engraçado! Custei a tirar uma casquinha dela, mas, no fim, me surpreendeu com certa ideologia: “vou votar nela porque ela é mulher, vamos apoiar as mulheres, vê o que elas fazem porque os homens não estão fazendo nada, só roubando, veja o Tuga”.
Enquanto lavava as louças, Sandra Cristina Souza me respondia seus motivos. De vez em quando me olhava, mas não fechou a pia por nada. “Não sei né, eu acho que o marido dela fez alguma coisa por Bauru sim. E eu acho que ele pode ter se arrependido e, agora, com a mulher – ou é ex-mulher? – ele pode mostrar que se arrependeu, e assim, fazer alguma coisa por nós”.
De volta para a sala, agora bem mais feliz, penso em todos os personagens por mim encontrados. Todos nós esperamos as eleições e seus resultados. E que vença o melhor, ou então, que vença o mais convincente.
Mas, como diria “Chaveirinho” que não quis me ceder entrevista: “acho que Rosa não ganha não viu, porque não é fácil achar quem vota nela. Tá mais fácil você achar Rosa no canteiro!”.