sábado, 14 de agosto de 2010

O Amor na minha concepção

Acho o amor algo ainda muito complicado de se entender, pois ele não tem forma para mim, somente som. Calma que eu já explico.

Minha avó, uma das poucas formas de amar que conheço, adora sentar-se em uma cadeira espaçosa da área de sua casa e ficar batendo a aliança de casamento no braço dessa cadeira. Uma vez ela confessou que o toc toc do som da aliança faz ela lembrar do meu avô. O mais poético da história é que minha avó tem 97 anos e seu marido morreu tem pouco mais de 40 anos. Mesmo assim, todo dia à tarde ela repete o ritual do bater da aliança, com a cabeça inclinada e os olhos baixo.

Um mês atrás, porém, minha avó ficou muito doente e teve que ser internada. Desde então, nunca mais a vi com a aliança na mão esquerda. Acho que pela primeira vez, em uns 70 anos, ela deixou de usar o anel dourado. E pra falar a verdade, percebi que ela quase não frequenta mais a cadeira da área. Não sei porque, mais ainda não tive coragem de perguntar porque ela tirou a aliança.

Só sei que de tanto ouvir o toc toc, passei a relacionar amor com mãos. Acho que se um dia encontrar o amor, eu só vou ter certeza através delas: minhas mãos serão seguradas de uma maneira que todos os dedos se encaixarão, de uma forma que todo o resto do corpo ganhe um ritmo, tipo um toc toc.

Bom, só vim escrever sobre o amor para poder compartilhar um texto do John Lennon, o Apaixone-se. Minha amiga fala que ele escreveu isso antes de conhecer a Yoko, pq está tudo muito racional. Talvez, mas acho o texto lindo:


"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada dois em um: duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém"

domingo, 22 de novembro de 2009

O que será de mim?

Pode ser que a mochila implore...
E talvez eu vá pra Sampa,
Ou pra Buenos Aires me mude.

E se um dia eu o encontrar,
Pode ser que sigamos juntos.
Mas se ele nunca aparecer,
Pode ser que eu nunca ame.
E se eu achar o tom,
Pode ser que escreva um livro.
Mas se eu perder o ritmo,
Talvez enloqueça.


Pode ser que eu nem mude,
Que eu nem ame,
Quem eu nem escreva...
Pode eser que a vida há de ir
E mesmo assim eu ainda permaneça.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sinestesia

Porque eu sinto a poesia e por ela sou tocada.
Porque eu vejo as palavras...
E quando elas me visitam,
Eu posso ouvir o mundo.
Porque eu sinto a poesia e por ela sou aconchegada.
Porque eu converso com as palavras...
E quando elas vêm me beijar as mãos,
Eu posso me ouvir.

Quando meus sons dançam nos seus meus ouvidos,
Eu posso sentir o mundo,
Com todos os sentidos e todo o meu coração.
Mas o dia que o mundo silenciar,
Sei que é porque meu coração também se calou:
Já cansado de bater,
Já preguiçoso de ouvir

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Top 10: Gatos da Música!

Se é só comigo, não sei, mas tem uns caras de bandas por aí que me roubam o fôlego, mesmo quando não estão no palco! Pensando nisso, ou melhor, neles, resolvi reunir esses gatos num top 7 (não foi 10 pq eu estava estudando e não dava pra perder muito tempo!). Ñ estranhem se não encontrarem muitos músicos brasileiros na lista, mas é que belezas exóticas, como a de Nando Reis ou Samuel Rosa, não fecham balada pra mim, hehe.
Por falar em balada, já dancei muito com Can´t Stop e outras músicas desse cara. Estou falando do tio mais estiloso da lista: Anthony Kiedis, vocalista do Hed Rot. Tudo nele tem estilo, desde cabelo até as tatuagens...
7.

Outro tio que fecha balada, e pode me chamar para tracar a porta de saída, é Larry Mullen Jr, baterista e fundador do U2. É Larry, you to, and call me!
6.

Enfim um brasileiro! Tá certo que ele tem um pouquinho cara de doido, mas está aí o borogodó dele: Lirinha, vocalista do Cordel do Fogo Encantado. Bonito e intelectual, ui!
5.

O 4º lugar é moreno e tem barba por fazer. Cobinação perfeita no rosto de Adam Levine, vocalista boa pinta do Maroon 5...
4.

Falando em barba, o 3º lugar ora aparece com, ora sem...mas não importa, Brandon Flowers, vocalista do The Killers, é gato até cantando com o Tiriica!
3.

O segundo lugar não é menos lindo que o primeiro, mas perdeu pontinhos porque já morreu, aí é mancada, né! Vocalista do Doors, Jim Morrison gato.com
2.

O top da lista, meuDeus!!! Desculpem-me, sei que ele é mais ator do que músico e os clipes da banda dele são meio "momentos", mas com a beleza desse cara, ele pode até ser presidente da Somália! Jared Leto, ôláemcasaaa com esses olhos!!!
1.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Hoje acordei meio poética

Todo mundo tem um passado e fez coisas que se arrepende, ou se orgulha. Mas todas essas coisas ficam no passado, e não tem como carregar tudo, o tempo todo.
Às vezes os amigos não te acompanham, nem suas antigas habilidades, nem as coisas que você antes gostava, ou seus sonhos de infância. Você acaba se tornando alguém que nunca quis (ou imaginou) ser.
Isso é ruim? Acho que não.
Alguns amigos me abandonaram, mas também abandonei alguns. Nem sempre dá pra seguir o mesmo caminho.
Desaprendi a fazer algumas coisas que antes sabia. Parei de fazer vôlei e minha condição física é lastimável, minha guitarra foi roubada, não consigo mais imitar a Britney Spears como antes.
Ainda gosto de chocolate, mas bem menos; ainda gosto de sentar na grama da Esalq e pensar na vida, mas hoje consigo fazer isso em casa; já calça de cintura baixa, isso eu deixei de gostar, mesmo.
Quando era pequena, queria ser bailarina, cantora, atriz, modelo... estou virando jornalista - imagina falar para mim pequenininha "não, você não vai ser absolutamente nada disso. Você vai virar jornalista." Seria a maior decepção da minha vida, na época.
Guardo memórias em um álbum de fotografias. Tem de tudo: fotos velhas, pulseirinha de Porto Seguro, aquela carta que eu nunca mandei e aquela outra que me mandaram, mas não deviam ter mandado. Estou reestruturando-o em duas partes: "coisas que perdi" e "coisas que ainda lembro". Na primeira, ficam as saudades que doem; na segunda, as que me fazem rir.



Enquanto arrumava as fotos, encontrei, atrás de uma delas, umas notas que não lembro por que foram parar ali, ou quando: trinta reais; presente do meu passado. Me ajudarão, em breve, a lembrar que nada dura para sempre, e que a beleza das coisas deve ser sempre apreciada por esse motivo. E, nos momentos difíceis, apenas que nada dura para sempre.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Bodas de Prata no tatame de “Karate Kid”

Completa 25 anos a parceria, sucesso de audiência da Sessão da Tarde, entre Daniel San e o simpático Sr. Miyagi


Quem nunca foi a uma festa a fantasia e não encontrou Sr Miyagi ou nunca se machucou ao brindar de lutinha com seus irmãos e amigos fingindo ser Daniel San, que dê o primeiro golpe ninja! Eu mesma já pratiquei cerca de 8 anos de judô, e adivinha qual foi a minha influência? Pois é, e olha que talvez você ainda nem tivesse nascido quando ele passou nas telonas do cinema, mas já deve ter assistido alguns de seus filmes, pois mais que um clássico da Sessão da Tarde, “Karatê Kid” entrou para o imaginário infanto-juvenil da década de 80.
Lançado em 1984, o filme foi dirigido por John G. Avildsen, o mesmo diretor de “Rocky, Um Lutador” (1976) e “Rocky 5” (1990), escrito e estrelado pelo badalado ator Silvestre Stalone. Famoso pelas imagens que imprimiu em seu público, como a do Golpe da Águia e a da captura da mosca através de hashi, “Karate Kid – A Hora da Verdade” conta a história de aprendizado e amizade entre Daniel Larusso (Raklph Macchio) e seu mestre de artes marciais, Sr. Miyagi (Pat Morita).


Raklph Macchio, hoje 25 anos mais velho...e pensar que eu queria casar com ele!

Apesar de todos aqueles que foram influenciados mais pela Sessão da Tarde do que pelos seus próprios pais já saberem da história de trás para frente, vale a pena relembrar: tudo começa quando o jovem e tímido Daniel, novo na cidade, se apaixona por Ali (Elisabeth Shue), ex namorada do encrenqueiro Johnny (William Zabka), membro de uma gangue de playboys da academia Cobra Kai. A trama só ganha fôlego, porém, quando Daniel é socorrido por um franzino velhinho, depois de apanhar feio de Johnny e sua turma. O tal velhinho não é ninguém menos que Sr. Miyagi, o homem que ensinará toda a disciplina e magia das artes marciais para o sofredor Larusso. No melhor estilo “Deus ajuda quem cedo madruga”, o filme termina com Daniel, agora San, ganhando do valentão Johnny com direito a platéia. E tudo isso ao som da lendária Glory Of Love, de Peter Cetera, música que se tornou marca registrada do filme.
Sinopse a parte, se ao ler o início do parágrafo à cima você não concordou com a afirmação de que a Sessão da Tarde dos anos de 1980 te ensinou, pense melhor sobre o assunto. Relembre as cenas de Karate Kid em que o sábio Sr. Miyagi, por exemplo, ensinava a seu jovem aprendiz que quando não podemos com a força de nossos adversários, devemos usar nossa inteligência para derrotá-los. “Sempre quando lembro de Karate Kid, lembro do filme como uma lição de vida para superar nossos obstáculos”, afirma o universitário Bruno Giovanni, de 20 anos. O filme também nos ensinou coisas menos filosóficas, como confiar em senhores de olhinhos puxados, que pintar cerca vale mais que puxar ferro na academia, que limpar mesas e carros com as mãos em movimentos circulares é um bom treinamento e que matar uma mosca poder ser mais difícil do que socar o garoto mais popular da escola.
Mas por favor, não desmereçamos o filme por seus clichês, fatalmente também utilizados em outras longas da década de 80. E que justiça seja feita! Karate Kid se diferenciou dos outros da sua época por não trazer um personagem de estereótipo tipicamente norte americano na pele do “salvador da pátria”: não nos esqueçamos que Mr. Miyagi, educado na filosofia e disciplina das artes marciais, exaltava os ensinamentos de uma cultura Oriental, o que influenciou a vida do protagonista (esse sim, americano). “O filme fez do Karatê algo mais popular ao mostrar sua cultura”, concorda o universitário Adriano Coelho, de 21 anos.

Pat Morita e o Golpe da Águia

Não é a toa que o longa foi um grande sucesso de público quando foi lançado, e até hoje se mantêm popular. Fato, é que até o presidente norte-americano, Barack Obama, foi relacionado ao Mestre Miyagi ao matar uma mosca durante uma entrevista para o canal de TV CNBC, na Casa Branca. Outro fato que marca o sucesso de Karate Kid é a futura refilmagem que a trama ganhará, batizada como “Kung Fu Kid”. O responsável pelo trabalho será o ator hollywoodano Will Smith, em parceria com o famoso produtor Jerry Weintraub. O remake levará a história para a China (antes era nos Estados Unidos) e trará Jackie Chan como o mestre e o filho de Smith, Jaden Smith, como Dre (equivalente a Daniel). Vale lembrar que até Hilary Swank, vencedora do Oscar por duas vezes, por “Meninos Não Choram” (1989) e “Menina de Ouro” (2004), também já participou de uma continuação de Karate Kid.
Enfim, não tem como negar que Karate Kid é o que há de mais pop na cultura pop. E quem não concordar, que me faça dois favores: 1) que não brinque mais com o Golpe da Águia; 2) e que respeite o primeiro favor. Arigatô!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Como o ar



Nossa, há muito tempo não posto aqui... Me deu muita vontade de colocar algumas palavrinhas hoje mesmo. Mas, não escreverei nada hoje, então, achei algo muito antigo - e, até mesmo, pessoal... Mas tá valendo. Pensamentos aleatórios, como se diria aqui na FAAC (Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da UNESP).
Aí vai! É antigo, mas é isso aí.



Hoje tirei várias conclusões, mas fiz mais perguntas ainda. Estou naquele dia em que você não sabe quem é, de onde veio, para que veio e por que está se sentindo assim. Ou melhor, porque não está se sentindo assim também. Hoje estou naqueles dias em que busco uma verdade ou uma mentira sobre mim. Estava me sentindo tão sozinha, tão sozinha que sempre quando me sinto assim sei que é porque não estou ali. Dai eu saio de mim e algum ser autômato vive e respira e come e sorri para as pessoas por mim.
Tive aula de filosofia oriental. Aula no bosque, exercícios com o corpo, pensamentos a princípios loucos, dos quais eu me sentia profundamente íntima.
Hoje meu amigo me disse que eu estava como Clarice Lispector em "A paixão segundo G.H": uma mulher entre aspas. Procurando ser um tripé, mesmo conseguindo me manter em duas pernas. Sim. Na mesma conversa, ele perguntou se eu confiava em mim. Silêncio profundo. Não sabia, continuo não sabendo.
Ele me perguntou se eu faria aquela brincadeira de “confiança” comigo mesma. Após algum tempo e algumas interrupções eu disse que não. Pelo menos hoje... Não, acho que sempre. Disse a ele que as pessoas confiam mais em mim do que eu mesma, ou talvez eu ache isso, não sei.
Voltando à aula de filosofia: e a minha maior conclusão de hoje. O professor mandou que andássemos pelo bosque e que nós achássemos algo com que nos identificássemos e que nós contemplássemos essa tal coisa. Teve gente que se identificou com um cachorro, outra com uma árvore, outras duas com a areia, o professor com o céu. Identifiquei-me com o ar. Sim, o ar... Nesse dia em que me sinto tão perdida, vi que sou como o ar...Me procuro a todo instante, procuro o meu eu mais profundo mas não acho... E nem me acharei... Não posso me ver, mas posso me sentir... Assim como o ar. Mesmo me sentindo o nada, como nós (do senso-comum) achamos que o ar é, também sou tudo porque o ar é tudo, há, sim, vida no ar.
Não sei dizer com as mesmas palavras que disse na hora, talvez porque minha inspiração esteja se diluindo...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Tirando a prova: joelhos x gravidade

Lembra quando eu disse que joelhos sofrem a ação da gravidade?

Hoje eu trouxe a prova.



(clique na foto para ver maior)

E esse é o problema de a sua mãe usar as mesmas roupas que você: ela pode acabar ficando meio ridícula.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Gripe legal, aula no Natal

Se nossas férias foram prolongadas por causa da gripe A(H1N1), para evitar a contaminação, não faz sentido que isso aconteça novamente, já que os casos só aumentam?

Em tempo: Se prolongar de novo, eu não morro de gripe suína; morro de tédio!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ah, que saudade do Nordeste...


Essa semana, José Serra resolveu ir até o Nordeste visitar seus coleguinhas. Quando era pequeno, o governador morava na Mooca, e lá estudou com nordestinos, pois era uma região onde "eles chegavam e, na escola, eram meus amigos". Acho que a saudade desse povo era tanta que não passou em nenhum momento pela sua cabeça o fato de que o Nordeste é a região com o pior desempenho eleitoral do PSDB no país e que ele é candidato tucano cotado para concorrer às eleições de 2010.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Eita, gravidade!


"Comemoramos" nesse ano os 40 anos em que o homem pisou na Lua. Parabéns, a Nasa deu nó em pingo d'água: conseguiu se livrar da gravidade terrestre. Porem enquanto isso, aqui na Terra, centenas de pessoas morriam em acidentes aéreos.
Só em 2009 já ocorreram diversos desastres. O Air Bus A330, que saiu do Rio de Janeiro com destino a Paris, por exemplo, caiu com 228 pessoas a bordo. Em junho, um Airbus A-310 cai no Oceano Índico, com 153 pessoas a bordo. No mês seguinte, o avião iraniano da Caspian Airlines do voo 7908 cai com 168 passageiros. E assim vai...
Pois é, o homem já descobriu o caminho pra Lua, mas ainda não aprendeu a conviver seguramente com a gravidade terrestre, já que pelo visto, não são somente os meus peitos que vão ser prejudicados pela força gravitacional...eita gravidade!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Siga o raciocínio

Britney Spears aos 16 anos, em 1998:


Miley Cyrus aos 16 anos, em 2008:


Britney Spears aos vinte e tantos:


Miley Cyrus, ainda aos 16 (ou 17) anos: a galeria.

Sabe, eu não sou de agourar, nem nada... mas voltem a esse post daqui uns 6 anos.

Update:
Um cara muito criativo fez uma paródia bastante apropriada da música Rockstar, do Nickelback. A letra e o vídeo são engraçadíssimos e têm tudo a ver com esse post.

terça-feira, 14 de julho de 2009

No meio dos carros...

Bom, não sei se é porque estou morando longe de São Paulo, mas toda vez que volto pra cá sinto que a cidade ganhou mais milhares de habitantes, parece até que vai explodir! É fila pra um lado, tumulto pra outro e o principal: um trânsito infernal.

Um dia resolvi sair de casa às 15h justamente pra fugir dos congestionamentos e chegar logo aonde tinha que ir. Assim que entro em um túnel tenho uma grande surpresa: tudo parado. Respiro fundo e decido não me estressar. Fico ouvindo música. Engato a primeira marcha, acelero e logo paro novamente. Fico nesse túnel uns 30 min, quando consigo sair me deparo com uma confusão. Uma ambulância tenta, desesperadamente, passar, um senhor com sua carroça se enfia por entre os carros, as motos passam tão rápido nos corredores que parecem que vão levar junto os retrovisores dos carros.

O farol fecha e pessoas vêm entregar um turbilhão de panfletos e jornais, meninos fazem malabares no farol e vejo um tiozinho, velho conhecido, que está sempre lá, na mesma esquina, e sempre faz a mesma coisa: escolhe um carro, vai até lá pedir dinheiro e não importa o que você diga ou faça, ele continua insistindo por uma esmola ou, caso a pessoa já tenha dado, insistindo por mais. Minha tia até já tentou levar coisas pra ele, tipo roupas ou comida, mas, não. Ele conta sempre a mesma história "eu preciso voltar pro nordeste, minha família está precisando de mim lá e tenho que juntar dinheiro pra passagem". O engraçado é que ele está nessa busca pela tão aguardada passagem há anos. Coitada da família que espera.

Me espanto quando olho pro lado e vejo um cara passando de bicicleta, no meio daquela barulheira, daquela confusão. Ele ouve música, e parece tão calmo e tão tranquilo, que posso jurar que ele está olhando pra todos que estão nos carros com vontade de rir "ah, vou chegar muito antes que vocês!". Talvez a solução seja essa mesmo, ir aos lugares usando transportes alternativos como esse. Certo, esse cara nos mostrou uma medida certa a ser tomada, o governo até tentou conscientizar as pessoas e incentivar o uso de bicicletas, colocou bicicletários em algumas estações de metrô. Mas ainda não é o suficiente. Falta o mais importante: e as ciclovias, onde estão?

Observando os carros ao lado, também me deparo com uma porção de ônibus que carregam faixas de protesto dizendo "Este ônibus fretado tira 20 carros das ruas. O fretado não pode acabar". Pois é. A partir do dia 27 de julho os ônibus fretados vão ser proibidos de circular nas áreas centrais de São Paulo e em avenidas como a Paulista, a 9 de Julho, a Berrini e a Faria Lima. Para Kassab, esse tipo de ônibus piora o congestionamento porque, sem regras, eles param em fila dupla, em esquinas, e prejudicam os ônibus comuns quando demoram parados nos pontos. É, está claro que essa é uma medida tomada com urgência para tentar melhorar o trânsito a curto prazo. Mas se o governo não aumentar e melhorar os transportes públicos coletivos, a situação só vai piorar e essas mesmas pessoas que utilizavam os fretados vão sair com seus carros nas ruas e São Paulo vai parar de vez.

Bom, algumas horas depois consigo finalmente chegar. Faço o que tenho que fazer e respiro fundo porque tenho um looongo caminho de volta...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante...

...mais precisamente em meados de 1999, havia um menininho muito bonitinho que, no filme Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma deixava todo mundo meio bobo de tão fofinho. O menininho se chama Jake Lloyd, mas ele é conhecido como "Anakin pequeno", ou "Anakin quando criança", ou algo do tipo:



Então, o Anakin pequeno cresceu e virou um jedi.



E também virou o Hayden Christensen.

Quanto ao Jake... bom, ele cresceu.



E esta é a lição de hoje: não vão para o lado negro da Força, crianças, a não ser que você não faça questão de ter uma carreira ou não liguem muito para aparência.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Permito não nomear

Hoje é um dia em que eu quero...
Quero desabafar,
Porque só por hoje eu me permito ser manhosa e chorona...

Embalem as nuvens, tirem o sol da tomada, ele está me roubando muita energia.
Silenciem os passos no asfalto, hoje eu quero me escutar...
Mandem a lua não aparecer.
Não quero vê-la tão arrogante, me olhando do alto,
Porque só por hoje eu me permito ser mais arrogante que a lua...
Prendam o vento numa caixa, pintem o céu da cor que quiserem...
Vou gritar palavrões pros vizinhos escutarem,
Porque só por hoje eu me permito ser mal educada...
Paz, não no Iraque nem em qualquer outra parte do mundo, somente pra mim,
Porque hoje eu me permito ser egoísta...
Varram as calçadas e as garagens, nada pode estar mais sujo que minhas mãos,
Porque hoje eu me permito sujar tudo o que já limparam...
Mandem as crianças pararem de correr nos pátios das escolas...
Paralisem o sinal no vermelho.
Que Mona Lisa respeite meu querer e pare de sorrir,
Porque hoje eu me permito não mostrar meus dentes...

Esvaziem as caixas, os porta-malas, os estoques,
Porque hoje eu me permito querer tudo pra mim...
Matem Kasper Hauser e assassinem o português,
Porque hoje eu me permito desconhecer o sujeito...
Virem o mundo de cabeça pra baixo,
Porque hoje eu não quero fazer parte dele,
Porque só por hoje eu me permito sair de mudança pro mundo que eu escolher,
Na companhia de quem eu quiser, vestindo o que eu bem entender...
Com as mãos sujas, com a boca fechada e os olhos molhados.
Porque hoje, só por hoje, eu me permito permitir.

domingo, 10 de maio de 2009

Complexo de princesa

Estava numa festa de criança, decorada com o tema da Cinderela. Tinha umas dez imagens da princesa, mas o príncipe aparecia em duas – idênticas, por sinal. Pensei em outras histórias de princesas, e notei a mesma coisa: quem é o príncipe? Uma conhecida que estava perto lembrou o nome do príncipe da Pequena Sereia, Erick. Mas só.

Então, me veio uma conclusão muito diferente de todas que eu já ouvi falar sobre essas histórias de princesas: o príncipe é um figurante! Quase como o cara que aparece tomando suco de laranja ao fundo na Malhação, já que os dois não têm nem nome.

E, depois, vêm me dizer que a princesa era uma sonhadora, submissa, que apenas esperava o príncipe chegar... bom, o que uma mulher podia fazer, naquela época, além de varrer chão, colher flores e cantar com os pássaros? Ela só esperava o príncipe encantado porque era a única coisa que ela tinha para fazer. Se ela trabalhasse numa multinacional, tivesse que pagar as prestações da geladeira ou terminar o trabalho da faculdade a tempo, não teria um minuto no dia para pensar no príncipe. E, se tivesse (afinal, nós sempre encontramos um tempinho para falar deles), não seria prioridade na vida dela.


Na foto: o tédio da princesa.



No final, eles se encontram e ela foge com ele; larga tudo na sua vida em troca do amor e vive feliz para sempre. Novamente, o que é “tudo” na vida da princesa? Ela seria louca se não trocasse uma madrasta cruel e uns animais falantes por uma vida em que, no mínimo, alguém a amasse de verdade.

As princesas que nos encantaram na infância eram mulheres fortes: órfãs, maltratadas pela madrasta, corajosas para mudar completamente suas vidas. E, em suas histórias, os príncipes encantados nem nome tinham. As princesas protagonizavam sua própria história – e é isso que toda mulher devia fazer: encarnar a princesa todo dia. Enfrentar a saudade da família, ser maltratada pelo chefe e ter coragem para mudar e ser feliz. Se aparecer um príncipe no caminho, ótimo, mas o nosso final feliz não depende dele. Afinal, hoje em dia, temos muito mais coisas para ocupar nosso tempo.

(era para ter postado esse texto no Lobotomia, mas, como não sou assinante da Globo.com, não posso mais escrever no meu blog.)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Notícia pélvis

Hoje a fonte é um site especializado, em que a notícia não é prioridade, mas existe.



Creio que a sua reação tenha sido a mesma que a minha...

...Ah vá!!

Agora, espero que a sua reação, após ler a notícia e pensar sobre o assunto, tenha sido "mas que merda é essa de Snoop Dogg e Amy Winehouse??..."

E, finalmente, vamos pensar sobre a música.



Você compraria um single com esses dois seres na capa???

Pode terminar o pensamento que você estava formando antes.

"...eles fumam bosta??"

Não, leitor, eles fumam maconha, mesmo. Um monte. Mas olha o lado bom: antes, era cocaína!

GO AMY! Andando com o Snoopp Dogg, tá se recuperando direitinho! Só não vale querer se vingar do ex com o mesmo truque, hein, senão quem vai se ferrar é você.



Ou, contrariando todas as expectativas, seu pimpolho pode se tornar o novo bebê-fofo-celebridade-preferida de Hollywood!

sábado, 4 de abril de 2009

A(s) crise(s)...

"Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado?
É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em
Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se
sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia. Bancos e investidores."

Essas palavras são de Mentor Muniz Neto, diretor de criação e sócio da Bullet, uma das maiores agências de propaganda do Brasil.
Encontrei esse texto num blog e não em grande veículo de comunicação...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

De histórias e poesias

Ainda flutuava na grande barriga da minha mãe quando escutei minha primeira “historinha”. Um mundo mágico foi crescendo à minha volta a partir daí e nunca mais parou de crescer... Sou moça “grande”, agora de verdade, com minhas quase vinte primaveras completadas, mas se pudesse minha mãe até hoje me colocaria sentada na cama e me contaria histórias lindas e mágicas, histórias capazes de colorir o mundo real e fazer com que o peso da vida fuja um pouco das costas e vá para floresta de outras maçãs envenenadas.
Nos meus longos banhos na banheira com a minha irmã, além de patinhos de borracha e bonecas da Mônica, participavam os livrinhos de plásticos que nos ensinavam sobre cores, números e formas. Também tinha livrinhos de panos, daqueles para sentir texturas... Tinha livrões imensos do palhaço Pilu...Tinha livrinhos de princesas, que vinham em bauzinhos que tocavam musiquinhas quando eram abertos: aquilo, essa sinestesia entre sentir a música e a literatura em mim, me encantava, me atraía e eu não resistia (mesmo não tendo idéia de como aquilo seria importante para a minha formação humana).
Tinha seis anos e começava a aprender a ler. Aprendi a juntar as letrinhas com a “tia Maísa”, na escolinha mais gostosa do mundo, Criança Feliz. Da Criança Feliz até minha casa, cantava musiquinhas de sapos que não lavam o pé e, intercalando com isso, lia letreiros enormes para a mamãe:
- “Co-ca... Co-la”, “Ca-be..”... Mãe, como que lê essa palavra?
- Cabelereiro, filhota.
Chegava em casa e papai sentava na cama e mandava eu ler várias manchetes de revistas e jornais e ia me corrigindo as palavras erradas. Uma a uma.
Monteiro Lobato sempre foi o meu íntimo na infância. Mas não o lia, o escutava. Todo dia à noite, mamãe contava milhões de aventuras de Emília, Narizinho e Pedrinho. Cada dia Tia Nastácia fazia um quitute melhor e eu morria de vontade de comer. Aliás, até hoje tenho.
Depois de uns anos, quando já alcançava a prateleira da biblioteca - minha e de minha irmã (nós temos nossa biblioteca até hoje, mesmo eu estando em Bauru e ela em Ribeirão Preto...) - buscava livros e me sentia a pessoa mais importante do mundo: achava incrível isso: meus pais sempre lendo e eu lá, lendo que nem eles. Chiquetérrima!
Depois que terminava, ia lá ostentar pro papai – que tava assistindo à Fátima e ao William - de como eu era uma boa leitora e uma boa menina:
- Papai, li esse livro, ó! – e exibia o escolhido da vez.
- Ah é, filha? E o que esse livro conta?..
Fui crescendo e a minha biblioteca também. Vieram os clássicos, os pedidos na escola (inclusive os do meu pai).
Agora, o maior responsável por minhas leituras, fora meus pais, era o meu avô paterno: o maior leitor que eu conheço. De “línguas vivas, mortas e extintas”, como ele costuma classificar. Coisa de linguísta!
Eu já tinha meus dezesseis anos e passeando pela praça com minha mãe pedi de presente para o “dia das crianças” um livro de poesias de Vinícius de Moraes (minha eterna paixão), “O poeta não tem fim”. Diz mamãe na dedicatória que o livro era pra me deixar em “estado de graça”, e assim o foi e é. Uma bíblia para mim.
Depois de Vinícius vieram Pessoa, Drummond (meu conterrâneo), Lispector, Machado e Kundera, meu último autor até esse instante.
“Um país é construído de homens e livros”, disse certa vez meu íntimo nas noites mágicas, Monteiro Lobato. Não sei se é assim que funciona praticamente, apesar de desejar que assim seja. Mas de uma coisa eu sei, porque sinto: que do palhaço Pilu a Kundera foi construída uma alma, minha alma, que é feita de histórias e poesias.

terça-feira, 31 de março de 2009

Bloco do Eu Acompanhado!

Desde que os barbudos do Los Hermanos anunciaram sua separação, meus ouvidos passaram a sobreviver quase que exclusivamente de músicas do CD Ventura e Bloco do Eu Sozinho. Até o dia que resolvi escutar outros sons que pudessem preencher a falta que "os irmãos" faziam no meu radinho. Passei a dar mais atenção a outras músicas, que íam de Chico Buarque e chegavam a The Killers e Muse. Nada adiantava...



Foi aí que, numa tarde de puro tédio em frente a tv, zapiando de canal em canal, ouvi um som diferente, com um vocalista de voz grave que era acompanhado de maneira doce por bateria, violão e trompetes. A música me agradava muito, e apesar dela me parecer familiar, era ao mesmo tempo diferente de tudo o que eu já havia escutado.
Assim que o som acabou, corri pra net e digitei "Beirut", o nome da banda, no milagroso YouTube. Conferido os resultados e descobri que eu já conhecia os caras da minissérie global "Capitu". "Elephant Gun", uma dos sons mais bonitos de Beirut, na minha opinião, fazia parte da trilha sonora de "Capitu". Na época da minissérie nem prestei muita atenção, acho que porque o meu radinho ainda estava totalmente satisfeito com Los Hermanos. Mas como a necessidade move até o mais preguiçoso dos homens, foi só naquela tarde de tédio que pecebi o quanto aquela banda era boa.


Pra quem não ainda não conhece Beirut, essa é a banda do cantor Zach Condon,do Novo México. O cara tem uma voz grave e aveludada, mas o que o diferencia dos demais músicos atuais é a sua criatividade em conseguir unir magicamente elementos do Leste Europeu com o Folk. O som dos trompetes e da sanfona confere um caráter de bandinha de circo à Beirut. E, assim como Beatles desejavam com sargent pepers, Beirut costuma se apresentar em praças e em frente de bares nas cidades em que passa.
Enfim, acho que agora os barbudos, no meu radinho, não fazem mais parte do bloco do eu sozinho!